quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A mídia "Fast-Food" e o Exorcismo das Nuancias



O que é a mídia "fast food" e como ela está acabando como nossa capacidade de dialogar?

A mídia "fast food" é a que te dá "informação" rápida e superficial, e é a que domina a discussão nas redes sociais e internet de maneira geral. Ela pode vir em vários formatos:

O formato "junk" são as frases de efeitos e os deturpados "memes" que circulam pela mídia social espalhando-se por seleção natural: uns entrando rapidamente em extinção outros viralizando como ... vírus? O formato "snack" são os famosos "senta que la vem textão". Textos que na verdade são também curtos e rápidos mas parecem alongados artificialmente e de forma ameaçadora pela estreita coluna de texto livre dos "feeds" e das telinhas verticais dos nossos "smartphones". Logo vem o formato  "Menu" ou "Combo", oferecendo sanduíche, batata frita, refrigerante e, às vezes, uma sobremesa e um brinquedinho. Tudo a preços promocionais de leitura fácil e rápida. Estes são os blogs, vlogs, slogs de opinião (como este que os fala) e os buzzfeeds, huffposts, e outros sites de "notícias" merda que não param de ploriferar-se pela rede. Travestidos muitas vezes de informação jornalistica, os menus e combos de fast foods são bons para matar a forme e dar-nos meia horinha de prazer, mas na realidade têm péssimo valor nutricional.

E qual o problema deste boom de "comunicação"? Ele é democrático e desregulado, o que é bom! ele é barato e acessível, o que é ótimo! e ele é completamente irresponsável, o que é onde mora o perigo.

O fato de qualquer mané com meia duzia de neurônios semi-funcionais (como este que os escreve) poder escrever e comunicar suas ideias e opiniões na grande rede é, de certa forma, um grande trunfo da tecno-democracia moderna, porém não podemos esquecer que nem toda opinião é informada, nem todo discurso é informativo, e nem toda eloquência é sinal de inteligencia. Retire do jornalismo e da comunicação o controle de qualidade editorial e a responsabilidade sobre o que é fato e o que não é, e temos a internet fazendo com a informação o que a indústria do entretenimento fez com a MPB: o samba vira pagode, o forró vira calypso e o sertanejo essa bosta toda que nem nome tem mais. Em outras palavras: fatos e notícias e história viram opinião. Análise crítica vira verborragia. E de carona as nuâncias desaparecem.

Perceba que na verborragia cheia de opinião forta da internet todo ecologista vira vegano. Quem não é de direita é socialista, esquerdista, comunista, ou pró-Lula. Quem não é de esquerda é golpista, bolsonazi ou fascista; quem não gosta de arma é maconheiro e quem não é machista é "feminazi"! Tente discutir ou colocar em questão um ponto em qualquer assunto complexo como direitos humanos, economia, sexismo, liberdade individual, ecologia, política, religião, etc., e rapidamente te enquadrarão em algum grupo no extremo de um espectro que é sem dúvida nenhuma multi-dimensional e cheio de nuâncias.

Escutar argumentos, desafiar pontos específicos e buscar soluções pragmáticas e realistas não estão no cardápio da discussão Macdonlds, para isso tem que passar muito tempo lendo livros escutando especialistas e tentando se aprofundar na história real e na pesquisa responsável. Ninguém tem tempo para comprar comida fresca, prepara-la com carinho e comer sentado à mesa, com a família e com amigos. A praça de alimentação do shopping é mais a nossa cara. Rápido, barato e conveniente.

A desnutrição, diabetes, colesterol e hipertensão só acontece com o cérebro dos outros.

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