segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dia D - Também quero falar do aniversariante!

 
Ontem foi o "dia D", aniversário de Charles Darwin, e tanto meu CaraLivro, quanto meu Piador, quanto meu feed de leitura do Blogger foram abarrotados de textos, memes e matérias sobre nosso finado herói. Tudo tão inspirador que não resisti dedicar parte de meu pouco precioso tempo para compartilhar alguns pensamentos e historietas a respeito.

No ano passado, quando fomos visitar a "Cité de Sciences et de l'Insdustrie" em Paris - meio que um museu de ciências mesmo - estávamos na entrada do museu, discutindo entre todos quais exposições cada um gostaria de ver, quando eu pulei à frente e disse - "EU QUERO VER A DO DARWIN!" (Darwin l'Original era o nome).

Nessa hora o Martin me pergunta: "Quem é Darwin?", e eu respondo rapidamente, dramatizando como apenas um pai nerd-super-excitado frente a uma visita a um museu é capaz de dramatizar:
- Darwin foi o cara que respondeu à pergunta mais importante do universo: "Qual o sentido da vida?"

Exagero? Talvez. Mas se pensarmos bem, Charles Darwin, com seu livro "Sobre a Origem das Espécies por Meio de Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida" (sim, descobri hoje que este foi o nome completo do livro hoje conhecido como "A Origem das Especies") nos apresentou a primeira explicação sólida e plausível com respeito às origens de toda a variedade de vida na terra. Por sólida e plausível quero dizer: amplamente apoiada em evidências e re-confirmada por ainda mais evidências que foram surgiram mais tarde. Darwin publicou "A Origem" quarenta anos antes de que as pesquisas de Mendel sobre hereditariedade fossem descobertas, antes de surgirem as teorias de placas tectônicas e flutuação continental, antes da descoberta da genética e quase um século antes da Embriologia. E tem mais, Darwin coletou e estudou fósseis, mas até 1859, quando finalmente "A Origem" foi publicado, nenhum fóssil "humano" havia sido estudado.

Sim, algumas pequenas correções a ideias e proposições periféricas foram feitas, mas Darwin acertou em cheio no princípio fundamental: (1) a luta pela sobrevivência, (2) a diferenças entre indivíduos fazendo que alguns sejam mais aptos a sobreviver às pressões do meio que outros (e por isso a gerar mais descendentes) e (3) a transferência dessas diferenças à próxima geração, tudo isso ocorrendo ao longo de muitas gerações.

De tudo o que eu li ontem nas celebrações do "Darwin Day 2017" (leia-se blogs, links e posts sobre Darwin do dia de ontem) foi o detalhe sobre como alguns de seus manuscritos do "A Origem" sobreviveram ao tempo. Parece que apesar de Darwin ser extremamente rigoroso ao preservar suas amplas trocas de correspondências com amigos e outros cientistas (conhecidamente Wallace), ele não ligava muito para a preservação de seus manuscritos. Uma vez que o manuscrito foi impresso pelo seu editor, sua maior parte foi provavelmente destruída, sobrando apenas umas 45 páginas (das mais de 600 originais), mas muitas delas contendo desenhos e rabiscos seus e de seus filhos.

A página mais famosa é a onde Darwin rabisca a primeira árvore da vida "não Lamarckiana" (a que vem do conceito original e errôneo de Lamarck publicada coincidentemente no ano em que Darwin nascia, 1809) explicando a especiação e a extinção de espécies e suas relações com espécies ainda existentes.



Mas que eu mais gostei de ver é a batalha entre a berinjela e a cenoura, assinada por um de seus filhos (FD - Francis Darwin), que nos lembra que até os mais conceituados cientistas correm sempre o risco de terem sua lição de casa comida pelo cachorro ou destruída por um amado filho.



Voltando à porta da "Cité de Sciences", quando dei ao meu Martin minha resposta super-excitada com relação a Darwin e o "Sentido da Vida", lembro que minha mãe imediatamente retrucou: "Respondeu mais ou menos, né?"

Nessa eu soltei um de minhas frases-feitas: "Não é porque muita gente não gostou da resposta que a resposta não seja correta!".

Qual o sentido da vida? Sobreviver e copiar nossos genes.

Confesso que também considero a resposta muito mais frustante que inspiradora, mas é o que há! Se você quiser mais, invente teu sentido para a tua vida! Mas entenda que será só teu e de ninguém mais. E seja lá o que ele for, a realidade não vai te apoiar!

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