quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Coordenadas Politicas IV - Casais homosexuais deveriam ter os mesmos direitos que casais heterosesuais, inclusive o direito à adoção?

Mais um tema que mexe com convicções inconscientes e irracionais.

A cultura ocidental tem, por influência da igreja católica imagino, uma obsessão anormal por tabus sexuais. Pode que outras culturas também tenham suas obsessões, não posso dizer, mas a ode à virgindade, castidade e pureza, principalmente de um ponto de vista masculino (ou seja, da mulher), é particularmente e estranhamente forte em nossa cultura. Pessoas são sistematicamente julgadas por suas preferências e comportamento sexual e, raramente, de uma maneira ou com um propósito positivo. Sexo denigre, assim como sua ausência.

Realmente não consigo entender a relação que as pessoas vêm entre comportamento sexual e afetivo de uma pessoa e seus direitos como pessoa. Eu entendo que o casamento foi por muitíssimo tempo uma instituição dominada pela igreja, e que por muitíssimo tempo todos os direitos associados a um casamento dependia de sua validade perante a instituição religiosa dominante. Mas isso acabou! É passado! O casamento e suas consequências legais são hoje do domínio da lei civil, que não deveria ter nenhum objetivo especifico em ser conforme às vontades de homens de vestidos e chapéus estranhos que nunca tiveram uma relação afetiva completa (pelo menos oficialmente, legalmente, ou no mundo real). Para deixar claro como a ideia é estúpida e ignorante, é como se alguém dissesse que  socialistas não podem dirigir, que corintianos não podem ter direito a décimo terceiro ou que vegetarianos não podem votar.

Nossa evolução social é marcada pela luta entre dominadores e excluídos. Primeiro veio a luta de classes, logo a dos sexos e das etnias. Muitas batalhas foram vencidas em nome da inclusão social mas em todos estes campos ainda restam cicatrizes de guerras que precisam ser resolvidas. A batalha legal é agora em torno de preferências afetivas, e a historia me diz que ela também sera vencida.

Mas a pergunta do teste focaliza, em especial, ao direito à adoção.

A preocupação com a adoção e, por consequência, pela educação infantil, é válida, mas não deixa de ser preconceituosa. Todas as pessoas com quem eu já conversei sobre este assunto específico, são contra esta ideia por medo que o comportamento afetivo dos pais tenham uma influência negativa na criança, seja causa de traumas ou qualquer coisa do tipo. A verdade é que uma criança precisa de um ambiente saudável, de pais responsáveis e carinhosos, capazes de educar e de serem educados. Instabilidade emocional, violência doméstica, influências ideológicas não são características exclusivas de casais homossexuais. Há que tenha evidências do contrário! Eu, sinceramente tenho mais receio de uma criança educada por um "machão" que por uma "bicha".

Adoção é uma coisa boa e todo caso de adoção deve ser avaliado caso a caso. Existirão casos de homossexuais que terão seus processos de adoção negados? Obvio que sim, como existem casos de recusa em casais heterossexuais. Mas a lei não deve tomar decisões "a priori".

Fecho com uma frase que já usei muitas vezes quando discussões como estas se esquentaram:

- Não me importa ter um filho ou filha "bicha", importante é que não sejam "filhadaputa".

2 comentários:

  1. E esse mundo esta cheíssimo de "filhos da puta"! mas não se pode levar ao pé da letra pois também é preconceituoso mas figurativo!

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  2. Por isso que fiz questão de dizer "filhadaputa", para tentar deixar claro que quero dizer no sentido de "calhorda" ou "mal intencionado", não em um sentido que faça realmente alusão à profissão materna.

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