segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Retiro espiritual - D4 - Amboise a Chinon, passando por Tours para dar uns beijinhos em meus amores.

Acho que o pior ontem não foi o joelho doendo nem a roda empenada nem as estradas esburacadas. O grande problema foi meu estado de espírito, nada que uma boa janta, umas duas Leffes, uma bela noite de sono e uma chave de raios (para desempenar a roda) não resolvam. O joelho não tem jeito, isso só voltando no tempo.

Hoje o dia foi melhor. Saí embaixo de garoa de Amboise e cheguei pela 11 da manhã em Tours. Do caminho liguei pra minha equipe de apoio pedindo que levassem ao centro tudo que eu precisava: novo rolo de papel higiênico (não comento muito por aqui mas uso bastante, como para limpar o óculos), três cuecas e meias novas, uma camiseta para dormir (meio que estraguei a minha já no primeiro dia quando tomei banho e a vesti antes de subir os 300 metros até Sancerre), e muito amor, carinho e beijinhos.

A pracinha de Tours


A Nina, pra variar, quando me viu, grudou na minha perna e não queria mais largar. Estava vestindo um coletinho de pelo comprado em brechó que parecia feito de pele de gambá. Quando ela finalmente largou minha perna, e a bermuda de ciclismo que uso desde o dia um, que deve estar cheirando saco suado com ovos mechidos, fermentado por quatro dias, a aparência de gambá não era mais o mais importante na roupa da Nina.

O Martin, antes de me dar um beijo, perguntou se eu queria jogar Xadrez, jogamos (a lanchonete onde nos encontramos tem livros e jogos para passar o tempo), e ele ganhou.

A Luzinha,  além de trazer as roupas limpas e levar as roupas sujas, trouxe todo amor e carinho que eu precisava. Sim, ela se preocupa com meu joelho (não sei se realmente se importa ou se é porque ela sabe que a hora que o joelho falhar é ela que vai ter que levar o velho gordo de cadeira de rodas por aí) mas sabe que eu precisava de um pouco de motivação para seguir com essa minha idéia estúpida de assar a bunda na bicicleta por sete dias sem parar.

Já as crianças, de novo, dando todo o incentivo que um pai precisa para os novos desafios:
- Não quero que você vai embora! - dizia o Martin com cara de bunda.
- Fica comigo, papai! - dizia a Nina agora com pinta e cheiro de gambá.

A já manjada chegada em Savonnières

Fui, sem medo de ser feliz. A estrada até Rigny-Ussé já conhecia pois já tinha feito uma vez com minha Fixa. A partir daí imaginava que haveria uma bela subida para crusar do Loire até o Vienne, outro afluente do Loire onde de encontra Chinon.

Já tirei essa foto antes, com outra bicicleta

Em Chinon, onde já estive algumas vezes, mas não me canso do visual, achei um simpático restaurante para voltar ao tema dos espíritos. Na pressa de pedir um vinho esqueci-me que já havia tomado um Chinon em Jargeau e pedi outro. Uma beleza! Acompanhado pela bela pracinha central da cidade medieval.

Jenoveva e a fortaleza de Chinon

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