sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Retiro espiritual - D6 - Angers a Nantes

Começo meus comentários com mais uma lição aprendida: se você pretende passar mais da metade do teu dia com teu traseiro no banco de uma bicicleta, não economise na bermuda.

Eu não uso, normalmente, aquelas bermudinhas de ciclista que mais parece um short do Axl Roses acoplado a uma fralda geriátrica. Quando vou trabalhar de bicicleta, uso uma calça jeans, e para os 18 km de ida e 18 de volta, isso é mais que suficiente ( na verdade qualquer pedaço de pano que evite que você passe a tarde na delegacia por atentado ao pudor já serve).

Comprei minha primeira bermudinha de ciclista na véspera de fazer minha primeira longa saida (de mais de 100 km). Ia para casa pensando na saída do dia seguinte, pensando se eu aguentaria o tranco e lembrando-me da dor na bunda depois da vez que fui de Tours a Chenonceau e voltei para buscar minha carteira de motorista que eu havia esquecido com o carinha que alugava barcos no castelo. Sem tempo para buscar o que comprar, lembrei da lojinha de bicicletas perto de casa, uma lojinha de uns 500 m2 da Specialized. Não conhecia essa marca, mas pelo tamanho da loja me parecia cara.

Entrando na loja você já da de cara com uma daquelas super bicicletas de time-trial (bicicleta de corrida de rua) toda em fibra de carbono, cheia de aerodinamica e custando mais de 9 mil euros. Peço uma bermuda de bicicleta de pista, o cara pergunta meu tamanho, respondo que não sei, então o cara me dá três para provar no vestiário. Acho uma que cabe, vou ao caixa, e largo lá 70 euros do meu suado diheirinho.

Desde então essa é minha única bermuda de ciclismo, e a uso sempre que penso em só andar de bicicleta (é que ir ao shopping com aquilo é um pouco ridículo) e fazer mais do que 50 quilometros.

Enquanto eu planejava esta viajem, resolvi que usar a mesma bermuda para pedalar 7 dias ininterruptos poderia cheirar muito mal. Resolvi que precisava de outra, mas claro, desta vez, com mais tempo, não queria pagar 70 contos, mais do que paguei na Genoveva, em outra bermuda. Fiz como qualquer  pessoa sensata faz, fui na Decathlon.

Na Decathlon eles tinham três tipos de bermudas: a light, custando uns 20 euros, a medium, 30, e a heavy duty, custando uns 40 contos. Pensei nas longas horas que passaria sentado naquela fralda geriátrica high-tech e abri a mão, comprei a mais cara (ainda quase a metade da minha Specialized).

Pois então, do dia 4 ao dia 5, minha Specialized não secou, então ontem passsei o dia na minha Decathlon, da mais cara. Resultado? Se voce pretende passar o dia com algo batendo na tua bunda, entre o cú e perineo, você prefere que seja as coxas da Monica Bellucci, ou a chuteira do Roberto Carlos? Pois bem, se você pudesse pagar 30 euros para não passar o dia levando chute na bunda do Roberto Carlos, você pagaria? Pois hoje voltei a usar minha Specialized e minha bunda esta no céu (imagino que o céu ainda se classifica abaixo das coxas da Mônica Bellucci). Lição aprendida. Você pode economizar na Bike, mas não economize na interface entre você e a bike: Banco/Bermuda, Pedais/Sapatos, Manoplas/Luvas. Vale lembrar em acertar bem na ergonomia: altura do banco, comprimento da potencia, tamnho do quadro....

Pois bem, vamos ao que interessa. Saí de Anger dentro de minha bermudinha Axel Roses nos tempos aituais da Specialized, rumo a Nantes, no que seria o penúltimo dia de agradáveis pedaladas. Consegui passar por alguns lugares bonitos tipo o pequeno e pacato vilarejo de Béhuard, onde Luis XI fez construir uma pequena igreja sobre uma rocha para agradecer a deus de te-lo salvado de um naufrágio (sem esquecer que seguindo a mesma lógica, foi o mesmo deus que causou o naufrágio em primeiro lugar, mas tudo bem, cada louco com suas manias). Depois disso, a rota passa uns 20km rodando pela ilha fluvial de Chalonnes, uma estradinha linda onde, no meio do nada, encontrei o Café Lenin, bizarro! De lá, a rota sai da ilha em uma cidadezinha fortificada chamada Montjean sur-Loire, onde consegui bater a última foto antes de comecar a chover.

Béhuard, e as coisa insanas que o homem faz em busca da paz espiritual
O bizarro Café Lenin, onde o cara tem um pequeno museu dedicado ao homem

Chegando em Montjean-sur-Loire

Das 13:00, até a hora que os teclo (21:30) não parou mais de chover. Minha jaqueta de chuva, que era impermeável quando a comprei, deve ter perdido seu revestimento mágico na última lavagem, e me manteve seco por, no máximo, uma hora. Neste ponto ainda faltavam mais de 60 quilometros até Nantes. So parei para ajudar um tiozinho de uns 70 anos a trocar o pneu do carro de uma senhora que parecia uns 50 anos mais velha que ele, mas essa historia vai ficar pro livro ;) pois a nossa conversa foi um pouco surreal.

Cheguei no meu Camping em Nantes completamente encharcado. Perguntei se eles não tinha disponivel, por acaso, uma cabaninha com lareira e tapete de urso, mas não. O que eles tinham era uma grande tenda sob a qual um casal de jovens ingleses já haiam montado sua barraca e estacionado sua Bike tandem. Montei meu chiringuito e fui tomar meu banho restaurador. Quando voltei, mais um grande grupo de ciclistas, uns cinco caras haviam chegado e estavam montando uma enorme barraca que tomou todo o resto de espaco disponivel. Pelo menos estamos todos secos. Interessante que neste Camping,  que está bem na rota ciclista, se você vem pedalando ganha desconto e um brink de boas vindas!

Acampamento sob chuva

Amanhã, no último dia pedalando, se o tempo ajudar, pretendo passear um pouco por Nantes, e fazer os últimos 56 km da rota oficial ate Saint-Brevin-l'Oceane, e de lá, dar uma esticadinha ate Pornic, onde passarei o dia seguinte com minha amada e fiel equipe de apoio. 

4 comentários:

  1. Sempre te digo: "o barato sai caro", mas você não me escuta... me fez rir mesmo assim.
    Até domingo! Bj

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  2. K6.7: agora vc tem uma baita experiência acumulada no celular, na memória e no trazeiro...aguardamos então o livro!
    Abração do K6.7, invejoso e orgulhoso!

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    1. Não levei a maquinona, mas levei a maquininha. Tem muitas fotos otimas para mostrar, apesar de eu ter mesmo passado a maior parte do tempo pedalando mesmo, sem tempo para muitas visitas. De qualquer forma marquei os lugares que preciso voltar com a Lu e com as crianças.

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