segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fixe the City - NY



É claro que ninguém espera que todos circulem pela cidade em fixies, mas o trocadilho funciona perfeitamente bem. “Fix(e) the city”, ou indo diretamente ao slogan da citibike, "Unlock a bike … unlock New york".

Nova York é uma cidade densa. Avenidas largas e calçadas amplas entupidas de gente, taxis, caminhões pesados e bicis. É difícil imaginar como funciona mas, ao que parece, funciona. Nos mais importantes centros comerciais de Manhattan, aglomerações de edifícios, muitos com mais de 20 andares, alguns com mais de 50, outros com mais de 100, com escritórios empregando 50, 100 pessoas por andar, todos em horário comercial, entrando e saindo mais ou menos ao mesmo tempo. Um grande formigueiro. Segundo a mais completa e menos confiável fonte de dados da internet, Manhatan emprega oficialmente mais de 2 milhões de pessoas e apenas 30% dessa gente realmente mora aí. Essa é a gente que vemos nas ruas na hora do rush, os commuters.

Experimentamos a cidade de férias, com os filhos, com carrinho de bebê e tudo. Fizemos tropocentos quilômetros pela cidade a pé, de trem, de taxi, ferry. Downtown, Midtown e Uptown Manhattan, Bronx, Brooklin, Staten Island, circuito turístico básico porém suficiente para apreciar o bom e o medonho da cidade reconhecendo méritos que poderiam muito bem ser aproveitados em outras mega-cidades do mundo, mas não. O Rabuja não é guia turístico, portanto a ideia hoje não é falar sobre nossos 10 dias lambendo o os corrimões da Penn Station, o Rabuja é um apaixonado por bicicletas e é essa a ferida que quero cutucar.

Na primeira manhã na cidade, o desafio era acordar cedo, preparar a prole e levar o filho mais velho (o que está sempre muito cansado para andar mas se deixamos não para de correr em círculos) para seu “summer camp”, a solução que encontramos para ter um pouco de paz enquanto fazíamos turismo adulto entre as 8:30 as 15:00 de cada dia útil. Doze quadras subindo a 7ª avenida, do hotel até a Time Square e mais três quadras para o sol poente pela rua 43 até 10ª avenida, onde estava a escolinha. Tudo isso arrastando um moleque de cinco anos ainda em seu estado zumbi-chato de cada manhã e empurrando um carrinho com um bebê bastante temperamental.
A primeira impressão chegou já na segunda quadra, ao cruzar a rua em frente à Penn Station. Abriu-se o semáforo de pedestres e parecia-nos que todo o 1,5 milhão de “commuters” saíam da estação ao mesmo tempo e andavam em nossa direção apressadamente. Exageros à parte, a multidão de gente andando atleticamente pelas calçadas chupando copos de Starbucks e falando ou dedilhando com seus pads e tabs em direção ao trabalho é assustadora. Segunda constatação quase obvia mas, a princípio espantosa, foi que nessas 15 quadras não cruzamos com nenhuma criança. Claro!, crianças não trabalham, não comutam a Manhattan e não chupam copos de meio litro de café gelado. A terceira constatação matinal e a primeira realmente positiva foi a quantidade anormal, para qualquer padrão de cidade conhecida pelo Rabuja, de bicicletas acorrentadas a postes, andaimes de construção, árvores ou às dezenas de pequenos bicicletários que encontramos pelo caminho.

A bicicleta é parte importante da matriz de transporte da cidade. O citibike, sistema de bicis gerenciado pelo departamento de transportes da cidade já registra mais de 40.000 usos de suas bicis por dia e as estimativas do mesmo departamento de transportes incluindo as bicicletas privadas leva este número à casa dos 700.000. Mesmo sendo conservador com os cálculos, isso significa pelo menos 200.000 pessoas a menos, por dia, usando carros ou taxis, e uma considerávem diminuição na carga do transporte público. Efetivamente ainda não é muito nas dimensões “niuiorquianas”  mas representa mais ou menos toda a frota de automóveis de Florianópolis (fora de temporada) ou de Londrina e mais da metade da frota circulante de Curitiba (frota circulante é a quantidade média de automóveis que realmente circulam todos os dias da semana).

Imagine sua cidade com 200.000 carros a menos e com um sistema de transporte capaz de gerenciar toda essa gente. Imagine-se você, com mais tempo para ler um livro no metrô ou mais tempo de apreciar a vida pedalando para o trabalho.

Fica aqui como registro e prova um ensaio fotográfico com as fixies que flagrei ao acaso durante os dias passeando por New York. Se em algum lugar do mundo a bicicleta de roda fixa pode ser considerado um movimento cultural urbano, esse lugar seria Nova York. Se nasceu aí, não sei ao certo, mas do velódromo de bicicletas que originalmente foi o Madison Square Garden, às ruas da cidade, impulsionando o melhor serviço de mensageiria de Manhattan, e do serviço de mensageiria a um puro elemento de moda chic urbana, as fixas em Nova York estão por toda parte, preciosas ferramentas de trabalho ou estilosos artigos de vestuário, com ou sem freios, novas e lustrosas ou arrebentadas pelo nobre uso e abuso, track ou free-style, mas sempre pessoais e exclusivas como dita o movimento.


Um comentário:

  1. A gente experimentou dar umas bandas de roda fixa por Santa Bárbara (o hotel oferece as bicicletas na faixa pros hóspedes se libertarem dos carros e pedalarem) e foi uma experiência bem legal. Mas eu monga que sou custei pra aprender a acionar e controlar os pedais como freio. Pelo menos a gente não caiu! =)

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