sábado, 13 de agosto de 2011

Cretino? Eu? Ahhh, vá...!

A última publicação do site "Ceticísmo Aberto", me levantou uma questão não diria importante, mas que me despertou tremenda curiosidade. Entitulada "O Mais Antigo Debate do Ceticísmo: uma pré história de Não Seja um Cretino", o texto levanta o histórico sobre a crítica que céticos, digamos, "soft-core" fazem sobre o tom arrogante, e supostamente mal educado, dos céticos opostamente "hard-core" ao tratar assuntos visto por muitos como delicados e até pessoais, superstições em geral. Bem, primeiramente acho que preciso deixar claro que não acredito que o tom as vezes mal educado, cínico, arrogante, cretino, e certamente rabujento de muitos de meus posts, tenha alguma vez desrespeitado alguém assim diretamente e intencionalmente (por favor, sempre corrigir-me se eu estiver errado, tendo em mente que minha resposta pode ser ainda mais mal educada, cínica, arrogante, cretina, e certamente rabujenta por teus critérios), entretanto fiquei realmente curioso para saber a opião dos poucos de vocês que se prestam a ler minhas rabujadas a respeito tom aqui exercitado, mas claro, não sem antes dar-me ao direito de uma defesa prévia sobre minhas próprias opiniões, afinal, como logo logo repetirei enfaticamente, o blog é meu e as regras aqui são minhas.


O blog doRabuja é minha latrina pessoal e intransferível

É claro que fico extremamente contente quando qualquer um de vocês, motivados por ira, revolta, simpatia ou pura empatia, resolve deliberadamente e sem censuras, prometo, sentar-se em meu assento sanitário normalmente respingado de minhas frescas cretinices, para postar seus próprios comentários, feed-backs ou desgostos pessoais, mas mesmo assim, a latrina segue sendo minha, só minha. Ela foi criada com o propósito, entre muitos, de me aliviar as pressões intracranianas sempre que a encefalosalmonela da dura realidade me ataca a cabeça e, estando eu longe de algum companheiro em modo de, ou por definição, "meu ouvido é seu pinico", preciso aliviar-me de minha característica diarréia mental. Título, tons de voz, comentátios têm, na maioria das vezes, a função de caricaturar o personagem que vos escreve, mesmo que sempre opiniões senpre reflitam fielmente as da pessoa quem vos escreve, mesmo porque quem me conhece pessoalmente, poucos, acredito, sabe que raramente entro em meu estado mais cretino e verborrágico pessoalmente e em tempo real. Em resumo, palavras reconfortantes e reconciliadoras raramente serão aqui usadas, pois fosse essa a intenção este espaço não seria chamado "doRabuja" mas algo do tipo "daPoliana", "daAnaMariaBraga", "doComDeusNoCoração", etc.

Sagan VS Dawkins

Para quem não os conhece, estes são meus escritores céticos favoritos, acrescentaria ainda um Adams se não fosse confundir as mentes mais polarizadas. Apesar de que por pura falta de conhecimento literário eu não possa afirmar com tanta certeza que estes dois poderiam ser tratados realmente como extremos de o que quero exemplificar aqui, são sim os poucos que conheço bem e portanto, o melhor exemplo que posso dar do que chamei previamente de cético respectivamente "softcore" e "hard-core".

Minha análise particular diz que o primeiro, Sagan, parece acreditar  que para se passar uma mensagem (leia-se educar) é preciso construir pontes para que a as vezes enorme distância cultural, filosófica, educional e até funcional entre o cético e o, digamos, supersticioso, possa ser realmente transposta. Para ele, parece que este canal de comunicação deve ser criado com dialogo respeitoso, claro, metódico e sobretudo paciente, o que faz total sentido uma vez que aparentemente as cabeças parecem ficar cada vez mais duras quanto mais batemos nelas com marretas. Para primeiro amolecer cabeças endurecidas por fantasias dogmáticas, não podemos bater nela, temos que conversar, argumentar, mostrar as evidencias calmamente, agindo como "bons" cético e deixando claro que se está plenamente disposto a refutar uma idéia desde que evidencias REAIS lhe sejam apresentadas, deixando claro que não é nada além disso que esperamos de nossos interlocutores e mostrando que uma ideia, teoria, hipótese, é somente tão boa quanto as possibilidades dela ser refutada por evidências reais.

Já o segundo (note que de forma alguma o deixo em segundo lugar e isso também escreveria caso tivesse entitulado o sub-trecho com Dawkins VS Sagan), apesar de provavelmente compactuar com tudo o que foi dito a respeito do primeiro até agora, não parece ter a paciencia necessária para agir como ele. Dawkins parece acreditar que algumas mentes já não tem mais salvação, que de nada vale construir uma ponte transpondo um abismo se do outro lado encontraremos certamente rocha da mais dura. Ele parece entender que o "escudo de força" criado pelas fantasías superticiosas e dogmáticas da argumentação circular e tipicamente falaciosa parece ser virtualmente movido à própria lógica com que os céticos o costumam atacar. Quanto mais se chega perto do ponto central mais absurdo de suas bases filosóficas, mais forte fica o escudo, vide um exemplo (dado pelo próprio Dawkins) do argumento usado por um dos grandes "pensadores" de uma das mais fortes facções superticiosas: "Certum est quia impossible est" (de Tertuliano, "É certo porque é impossível"). Em resumo, Dawkins realmente costuma dirigir-se à sua própria platéia, sem nenhum intuito aparente de cativar opositores crentes ou converter mentes supersticiosas, dando-nos referências, explicando ciência, valorizando o empiricismo, armando-nos para, seja como um Carl Sagan, um Richard Dawkins, ou mesmo um Douglas Adams, estejamos aptos a trazer um pouco de luz a esse mundo obscurecido pela superstão, seja ela pré-histórica, antiga, medieval ou mesmo da new-age, e muitas vezes, como um bom cético "hard-core", atacando estas linhas diretamente com palavras duras.

Respeito, tolerância e liberdade, mas sabendo onde esta começa e termina

Porque é que, apesar de eu já ter usado termos como "filho da puta", "canalha", "picareta", "charlatão", "psicótico", e por aí vai, neste blog, não acredito ter desrespeitado ninguém? Bem, primeiro porque, se não nunca, raramente toquei ou critiquei um assunto realmente pessoal de alguém, "Mas você não para de criticar dura e diretamente minha fé, minha religião! Isso é pessoal!!" dirão alguns. Mas não, não, contesto eu. Isso nunca fiz.

Tua fé pessoal  não posso criticar simplesmente porque a parte pessoal dela não a conheço, ela nunca me atingiu e seria no mínimo injusto critica-la. Talvez já tenha criticado a parte não pessoal dos que tem fé, digamos assim, a extenção fenotípica de seus memes, a parte exposta, que transpassa suas cabeças e afeta o resto do mundo. A partir do momento em que a fé e a liberdade religiosa de alguém passa a me afetar ou passa a afetar alguém ela deixa de ser pessoal e passa a ser uma questão pública, problema meu também (ou de quem seja), plenamente passivel de ser questionada, escrutinada e criticada.

Critico sim, e muito, as instituiçoes e grupos religiosos com seus porta-vozes que continuamente e cotidianamente se atrevem a atropelar a personalidade da fé pessoal e os limites da liberdade individual com suas pregaçoes massivas generalizadas. Interferem sistematicamente em assuntos a que não lhes compete, querendo discutir sobre legislação, clonagem, aborto, sexo, relaçoes afetivas e se metendo onde quer que seja sem nenhuma credencial válida se não pífios conhecimentos vindos de livretos compilados a milhares ou centenas de anos.

Me dou sim ao direito de abusar do mesmo vocabulário comumente aceito para muitas discussoes tão "pessoais" quanto esta. Porque posso usar do tão versátil "filho da puta" contra o juiz que arbitra contra meu time afetando um mero campeonato local mas não contra um senhor que arbitra contra um continente inteiro proibindo o uso de camisinhas? Porque posso usar o "charlatão" contra o deputado presidente de ONG picareta mas não o posso para o pastor que arrecada seus milhonários dízimos de um povo miserável? Porque posso usar o termo "picareta" para o vendedor de carros roubados mas não posso falar o mesmo do acupunturista, homeopata ou do astrologo? O cara que pagou pelo carro bixado acreditava que estaria fazendo um bom negócio, tanto quanto o cara que pagou duzentão pra ser espetado por um japonês. O cara que doou dinheiro para a ONG acreditaca que estava fazendo uma boa ação, tanto quanto o cara que dás seus ciquantão pro pastor! Tenho certeza que o cara que chorou ao perder o campeonato por causa de uma má arbitragem não chorou tanto quanto o cara que perdeu a familia inteira para a CIDA. Mas ao tiozinho de chapéu pontudo é desrespeito usar nomes feios, por mais que sua arbritagem seja ainda mais perigosa do que a do juiz de futebol. E quando uso o termo psicótico para caracterizar a turma da  superstição bem intencionada, padres, pastores, rabinos, mulás, caciques, estou fazendo nada mais que dando um diagnóstico leigo para alguém que perdeu o contato com a realidade. Acho que posso fazer isso sem ferir princípios da psicologia.



Então, o sol está se pondo em minha piscina catalã e já me estão acabando as páginas em branco do pobre livro que eu estava lendo quando me deu mais essa diarréia. Finalizo mais uma vez com o provisional uso da tecnologia blogger fazendo uma enquete sobre se o rabuja deveria ser mais softcore ou mais hardcore. Em outras palavras, respondame, você acha que o rabuja deve:

A - Continuar cagando e andando para possíveis mal entendidos e ofenças certamente injustificadas e seguir sendo azedo, direto, cretino em todos os temas sendo ele competente ou não para tal, ou
B - Maneirar no palavrado  e agressividade tentando criar pontes sobre o abismo cultural/sentimenta/intelectual/educacional, tentando salvar o mundo com argumentação sólida e paciente, mudando o nome do site para "daSandi" (oops, esse já não se aplica mais) daPoliana.
C - NDA

Use a ferramenta logo "quem sou eu", no alto da página e sinta-se livre para expressar-se com seus comentários abaixo.

3 comentários:

  1. B – Mas não mude o nome do site, rsrsrs,


    Abraço.

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  2. Nich, este comentário pode estar "atrasado", mas tenho q me expressar pq seus comentários, diarréias, pensamentos, críticas, etc, são realmente e verdadeiramente suas! Ponto! Quem quer leia, pois muito bem, quem se ofende com seu tipo de linguagem, pois não vai ter muito sucesso em achar outra coisa no horário nobre da nossa TV aberta por exemplo... ou de muitos filmes ou programas da TV fechada... ou seja, se quiser uma leitura mais "culta" ou mais coerente com seus gostos ou crenças, as livrarias estão aí pra isso =)
    Eu particularmente, tenho me fechado numa fase mais introspectiva, e (certa ou não) me isolado do mundo digital. Aos poucos, estou voltando ao mundo cibernético, mas também uso o meu blog como um lugar meu, onde expresso meus pensamentos, sentimentos e desabafos, sem sensura.
    Curioso que o meu "retorno" aconteça e seu último post seja tão em linha com meus pensamentos =)
    PS: mais um pouco e este comentário ficaria maior q o post em si =P

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