terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Boa leitura


Fim do ano passado um colega do trabalho pediu-me que escrevesse um pouco sobre a importância da leitura pois percebera que o público a quem se destinava seu periódico de comunicação não andava lendo muito o que ele escrevia. Minha primeira reação foi " legal, vamos lá", mas logo que comecei a escrever pensei "bem, posso escrever o que me der na telha, pois ninguém vai ler mesmo!".


Essa é a triste realidade.

Já rabujei sobre os números da leitura no país, hoje vou fazer uma "ode à leitura", colocando aqui uma das muitas versões do meu "textículo" foi distribuído lá na fábrica:

"Boa leitura, ou não!


Porque será que em 2010, ano em que tive acesso grátis à TV digital e ao rádio de meu telefone celular, vi pela primeira vez uma TV 3D, posso assinar mais de 230 canais de TV por três merrecas e meia ao mês, assisto pela Internet vídeos sob demanda, ao invés de usufruir de toda essa tecnologia comprei mais de 15 livros (em papel) ganhei outros tantos e li incontáveis revistas e jornais? Serei eu, aos meus 35 anos, ultrapassado? Retrógado?

Pelo que se sabe a linguagem escrita apareceu de 5 a 6 mil anos atrás, e desde então é o que vem possibilitanto a transmissão e o desenvolvimento do conhecimento sem se limitar ao contato humano. Com a palavra escrita, podemos aprender não apenas com nossos pais e mestres, mas com todos os pais e mestres que já viveram e perpetuaram seus conhecimentos atravéz de seus textos e ilustrações.

O mais incrível com relação a esta forma de comuinicação é que, apesar de ser uma das formas mais baratas e mais “low-tech” de comunicação (que não exige muita tecnologia), ainda é a  forma mais interativa que existe, pois é a que melhor interage com o nosso cérebro, com a nossa imaginação. Ao contrário da comunicação por audio (rádio) e da audio-visual (televisão), a comunicação escrita é controlada pelo receptor da informação, não pelo transmissor. O leitor tem a total autonomia de parar, pensar, voltar no texto, re-ler, tomar notas, sublinhar, e retomar a leitura à medida do necessário, para a total assimilação da informação da forma como lhe convir. Além disso, ao invéz de ouvir sons e ter de seguir sequências cada vêz mais rápidas de imagens irreais, lendo um livro precisamos, à partir de um texto, criar imagens e sons com nosso próprio cérebro, usar nossas experiências e nossos próprios paradigmas para mergulhar no texto e confundir-mo-nos com ele, em busca de um sentido de realidade para as palavras escritas. É o leitor quem constrói as imagens acerca do que está lendo e é por isso que o único limite para a amplidão da leitura é a sua imaginação. Simplesmente não dá para comparar, e é exatamente esta interatividade que nos estimula a pensar, que nos faz aprender.

Ao contrário dos outros meios de comunicação, que não nos dão tempo de refletir, livros nos permitem conhecermos melhor a nós mesmos, experimentar novas experiências, além de trazer o enriquecimento cultural que nos fornece maior capacidade de diálogo, nos preparando melhor para atingir as necessidades do mercado de trabalho. O problema é que ler pode (e deve) nos tomar tempo e por este motivo é importantíssimo que o exercício da leitura nos dê prazer, e para tal é imperativo que a leitura em si esteja alinhada à vontade do leitor. Ler é fundamental, e é fundamental que o leitor seja livre para escolher o que ler, re-ler e o que não ler. Lemos por prazer, lemos para estudar e lemos simplesmente para nos informar, mas a melhor leitura é aquela que traz tudo isso ao mesmo tempo.

Além da vontade do leitor, temos também que levar em consideração a qualidade do livro. Alguns livros são simplesmente melhores que outros, e isso não é uma questão de gosto. Associado ao gosto pessoal do leitor pode estar o estilo do autor e talvez o assunto do livro, mas a qualidade de um livro esta na capacidade do autor ver e descrever com maior profundidade os assuntos abordados, o interior de personagens estranhos com personalidades complexas, transmitindo em palvras o que eles vêm e sentem de forma real e efetiva, transmitindo realidades fictícias ao invéz de simplificações irreais. Esta qualidade exige algum esforço por parte do leitor, como interpretar situações complexas, entender as imperfeições da realidade e aceitar a humanidade dos personagens. São exigência que não encontramos em livros sem qualidade ou ao zapear pelos 200 canais da TV a cabo, mas que são extremamente gratificante pois são estes os autores e livros que vão nos desafiar e nos provocar. É o que vai nos proporcionando aventuras totalmente individuais que realmente ficarão marcadas em nossas memórias.

Entao, o que te dá prazer? Sobre oque você deseja estudar mais? De que tipo de informação você precisa para poder ser o piloto de sua própria vida?"

Um comentário:

  1. Como já disse à cima: Falô e disse! O duro é quando não conseguimos encaixar em nossos afazeres do dia-a-dia um tempinho para boa e tranquilizante leitura... Desculpa? Pode ser, mas é muito fácil deixarmos passar batido e quando nos apercebemos já se passaram meses e não lemos nada ou não terminamos aquele tão agradável livro que está na mesinha de cabeceira. Devemos sim nos policiar e lermos nem que 10 min. por dia, pois a leitura faz bem até para a alma.
    Te amo
    Lu

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