segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E os urubus continuam sobrevoando o bananal!

Depois de um ano cheio de tragédias sócio-ambientais, no Brasil e no Mundo, iniciamos 2010 da mesma forma que iniciamos 2009. Morte na TV, olhos vermelhos e encharcados, acompanhados por choro desesperado, preces a deuses, tudo mostrado bem de perto e com o som estourado para tentar passar ao tele-espectador a emoção dos pais, parentes e amigos que perderam alguém. Houve um tempo em que isso era criticado como sensacionalismo, hoje não sei como se chama, talvez simplesmente imprensa.

Não sei ao certo quantos morreram tragicamente no fim de ano, mas uma rápida busca no google pode nos dar uma idéia bastante superficial:

- 455 por acidentes de trânsito (4% mais que no feriadão do ano passado)
- 86 por chuva (em Angra, Rio de Janeiro, Magé, Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Niterói (RJ), Cunha, Guararema (SP) e Juiz de Fora (MG)
- Outras mortes violentas (assassinatos?) que me apareceram no google, somente durante o reveillon: 24 em Curitiba e Região, 38 no estado do Rio Grande do Sul, 28 em Fortaleza...

Devemos ter tido mais de 1000 mortes trágicas nesta virada de ano, no mínimo, agora por que que temos que ficar ouvindo tanto de Angra dos reis? Por que a Globo coloca no horário mais nobre da TV, uma entrevista com os pais da menina Yumi, uma dos mais de 40 que morreram em Angra? Por que é mais triste ver criança morrer? Ou é mais triste ver criança rica, com sonhos, talento, beleza... futuro. Acho que sim. E obviamente quanto mais tristeza, mais ibope. É o Jornal Nacional se transformando em "Reality Show".

Peço aos nossos jornalistas que façam outras entrevistas. Entrevistem o Presidente da Eletronuclear, Sr. Miguel Colasuonno, que mesmo após uma solicitação formal do prefeito de Angra se recusou a desligar suas usinas até que os acessos a Angra (ou para sair de Angra em caso de emergência) fossem liberados. Peço que entrevistem o secretário de obras, habitação e serviços públicos de Angra, Sr. Ricardo Tabet, sobre o plano de ocupação das encostas e da faixa de mar. Entrevistem quem possa explicar, em horário nobre, de onde vem tanta chuva, de onde vem tantas mortes, tantos acidentes de trânsito, qual a ligação, o denominador comum, entre tantas tragédias.

Aos que já perderam alguém nas tragédias da vida, minhas condolências. Aos que não perderam ainda preparem-se com um pouco de Chico Buarque, porque do jeito que as coisas vão, 2010 deve ser ainda pior. Lembrei desta música ouvindo a comovente entrevista com os pais da Yumi, difícil imaginar como é perder um filho, acho que esta maravilhosa letra do chico deve ser uma das melhores descrições sobre perdas em geral...

Nenhum comentário:

Postar um comentário